O Meu Eu

               

                   Eu ainda existo, sabia?
                   Ainda sou alegre, até moleca,
                   sei rir, contar piadas, continuo sapeca,
                   me iludo e vivo uma fantasia.

                   Como vê, não mudei.
                   Continuo a mesma mulher
                   que quando quer, sabe o que quer
                   as vezes... impossivel... bem sei.

                   Se me abalo com uma adversidade
                   lembro-me do pacto de fidelidade
                   que uma verdadeira amizade supõe.

                   O espaço , o tempo são ultrapassados
                   e meus dias continuam despreocupados...
                   como Deus quizer... como a vida me impõe.

                                                       Lia Araújo


 Escrito por Lia de Araújo Oliveira Marchi às 00h31
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A Minha Caminhada

.          No curso de nossa existência há momentos que se cristalizam em  verdadeiros marcos de nossa caminhada. O primeiro, para mim, foi a morte de meu pai quando eu tinha apenas quinze anos de idade. De lá para cá encontrei vários deles, a separar cada experiência, a ponto de quase poder dizer que vivi diversas vidas: meu casamento, a chegada de minha filha, a advocacia, a política, meu genro [que é o filho que qualquer mãe deseja ter], meus netos, onde alcanço, pela magnitude de amor, a mais completa felicidade.
          Foram e são experiências extraordinárias, de imensurável valor.
          Discortinei exemplos de grandeza e devotamento ao magistério exercido por minha mãe. Vi de perto, nas lides forenses, a tragédia humana nos cárceres e nos lares desfeitos quando, na maioria das vezes, restava como saldo uma infância desvalida. Vi  a dor nos hospitais onde me curei de três cânceres; mas vi também a força da fé e do amor familiar e amigo que nunca me abandonou.
          Não somos a história de nossos dias?
          Esta é a minha história, a minha caminhada descrita em breves e singelas "pinceladas".
          O devotamento aos meus familiares e amigos foi o que me levou a falar tanto de mim violando comezinha regra de bom tom. É que falando de mim pude sentir-me no direito de,  mais  uma vez, pedir a compreensão de meus amigos pela minha ausência. Quero ainda acrescentar que estando em férias meus netos são visitas constantes, não só a mim, mas também à Internet e na disputa  pelo único computador que tenho eu sempre saio em desvantagem.



 Escrito por Lia de Araújo Oliveira Marchi às 21h48
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SAUDADES!!!




            Depois de acalentar minha alma viajora, finalmente estou de volta!
               Saudosa!
               Extremamente saudosa de meus amigos que tanto prezo, que são as joias por mim adquiridas  no ano que findou.
               Gostaria que sentíssem meu abraço carinhoso ao desejar-lhes um magnífico 2005.
               Agradeço todas as manifestações de carinho enquanto estive ausente, o que me permitiu estando só, estar junto a voces no discreto silêncio dos amigos leais.



 Escrito por Lia de Araújo Oliveira Marchi às 14h55
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FELIZ NATAL A TODOS OS MEUS AMIGOS!



              Há sete meses atrás eu iniciei esta viagem. Em meu caminhar pude conhecer pessoas maravilhosas, sensíveis, cultas, brilhantes e principalmente, amigas. Pessoas que sempre me presentearam com menções honrosas, que tornaram meus dias mais ricos com seus fabulosos escritos. 
             Tenho muito a agradecer a todos e a cada um particularmente, para isso empresto as palavras de Saint Exupèry:
                                     CADA UM
                Cada um que passa em nossa vida passa
                sozinho... porque cada pessoa é única para nós,
                e nenhuma substitui a outra.
                Cada um que passa em nossa vida passa
                sózinho, mas não vai só...
                Leva um pouco de nós mesmos e nos deixa um
                pouco de si mesmo.

                Há os que levam muito e os que levam pouco.
                mas não há os que levam nada.
                Há os que deixam muito e os que deixam pouco
                mas não há os que não deixam nada.
                Esta é a mais bela realidade da vida...
                A prova tremenda de que cada um é importante
e
                que ninguém se aproxima um do outro por acaso...


 Escrito por Lia de Araújo Oliveira Marchi às 20h04
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QUEM SOU ?

 

            Pergunto-me : Quem Sou ?
               Serei alguém preenchendo um vazio,
               cujo lugar qualquer um preencheria ?
               Um elemento a mais na massa humana,
               alma perdida que a nada se ufana,
               lâmpada acesa ao sol do meio dia ?

               Pergunto-me : Quem Sou ?
               Serei a lua que a tempestade apagou
               e quando voltou a brilhar já se fazia dia ?
               Uma mulher, apenas uma simples mulher,
               que não se ilude como outra qualquer
               em ter uma carcaça bonita, mas vazia ?

               Pergunto-me : Quem Sou ?
               Serei alguém que de repente despertou
               com os clarins da consciência ?
               Viu nos tabús da sociedade conflitante
               As grades da opressão revoltante
               que ferem a mulher em sua descência ?

               Pergunto-me : Quem Sou ?
               Serei aquela com quem voce sonhou
               ter como amiga fiel e confidente ?
               Em suas queixas ser toda ouvidos,
               levantar os seus brios feridos,
               valorizar os seus dons e torná-lo confiante ?

               Não sei quem sou...
               Sei apenas que ninguém jamais procurou
               ser tão presença em sua vida.
               Dei tudo de mim sem restrições,
               fiz de voce meu mundo de ilusões,
               esquecí quem sou  e  por voce fui esquecida.

                                   Lia Araújo

 
            Peço desculpas aos poetas e poetisas por me aventurar, com tão parcos dons, no mundo mágico da poesia.



 Escrito por Lia de Araújo Oliveira Marchi às 13h40
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Amanhã devolvo-lhe...



             Há tempos atrás eu tinha oito guarda-chuvas. Atualmente tenho dois. Um deles meio capenga, mas que serve para ser usado aqui em casa em dia chuvoso, quando vou à churrasqueira ou à edícula. Dois eu perdi e os demais foram emprestados mas não foram devolvidos.
                Por que as pessoas quando pedem emprestado um guarda chuva dizem: "amanhã eu devolvo"?  Sabem que este amanhã pode representar um futuro muito distante, como semanas, meses, ou simplesmenmte  nunca mais.
               Certa vez eu li que DEVOLVER é o verbo que sucede ao EMPRESTAR. Mas nem todos conhecem esta relação.
               Pensando bem, é melhor eu dar uma verificada geral em meus guardados, para ver se eu também não me esquecí desta sucessão verbal.


 Escrito por Lia de Araújo Oliveira Marchi às 00h30
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Espinhos



                   Fui uma tola sentimentalista
                   que pesou o sentimento alheio
                   pelo que sentia e o que estava à vista, 
                   envolvida por um novo anseio.

                   Os obstáculos desta ambição
                   foram esquecidos por mim que sonhava
                   ter a messe destruidora da solidão
                   por possuir tudo que mais amava.

                   Mas com o tempo tive consciência
                   de que não passei de reles experiência,
                   de quão pouco valor teve meus carinhos.

                   E como aquela rosa que um dia recebí,
                   lembrança dos belos dias que viví,
                   não tenho colorido, nem perfume...
                                                        só espinhos...

                                   Lia Araújo
                                                                         
 



 Escrito por Lia de Araújo Oliveira Marchi às 21h43
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Assombração


    
          Há uns anos atrás, Itatiba foi despertada de sua pacatez por um acontecimento inusitado.
          Seu Laureano, funcionário público aposentado, já arqueado pelo peso de seus oitenta e seis anos, com visíveis sulcos em seu rosto esculpidos pelas muitas restrições impostas pela vida de sacrifícios e provações, com a pele muito branca, lívida, tal qual os seus poucos e mal aparados cabelos, era viúvo e morava com sua filha Eugênia, em uma casa de dois pavimentos.
          Todo dia, ao entardecer, Seu Laureano vestido com seu pijama branco de listas azuis claras sentava-se em frente a uma janela da sala de estar para receber os últimos raios de sol que já se despedia atrás da cinzenta montanha.
          Neste dia em questão, Eugênia teve que sair. Mas antes fechou as portas e janelas deixando de ascender as luzes porque ainda havia alguma claridade.
          Pouco depois caiu a noite e a casa ficou totalmente às escuras.
          De repente o Seu Laureano acordou sobressaltado: Havia alguém arrombando a porta de entrada.
          Desesperado, sem saber o que fazer escondeu-se embaixo da escada que levava aos quartos.
          Um homem entrou sorrateiramente com um farolete em uma das mãos e um revolver em outra. Deu uma rápida olhadela nos cômodos térreos e começou a subir vagarosa e cuidadosamente a escada.
         O pobre velho estava apavorado...
         Faltava-lhe o ar...
         Faltava-lhe o fôlego...
         E seu coração parecia um tambor prestes a lhe saltar pela boca...
         Tum...Tum...Tum...Tum...Tum...Tum...
         E pensava: “O ladrão com certeza vai ouvir as batidas de meu coração”
         Tum...Tum...Tum...
         Num lampejo de coragem saiu do esconderijo e com uma voz entrecortada, trêmula, sussurrada, quase um gemido disse: -“Booa nooite seu laadrão!”
         O intruso levou um tremendo susto e quando viu aquela figura extremamente pálida, com uma aparência macabra, soltou o revolver e o farolete e em duas passadas alcançou a porta...
         E desapareceu no mundo


 Escrito por Lia de Araújo Oliveira Marchi às 22h56
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Um Soneto




                     As horas são poucas e os afazeres são muitos.
                     Assim têm sido os meus dias.
                     Em respeito aos meus queridos leitores deixarei um soneto
                de uma amiga que por todo o virtuosismo, romantismo e lirismo de
                sua arte poética, tem recebido merecidos prêmios.

                            Sonhos de Rainha
                         
                        Vou a catedral rezo e agradeço!
                            De joelhos numa prece sentida
                        Se és minha... Eu não a mereço.
                            Só para mim essa minha vida!

                        Sonho que é meu esse castelo
                            A coroa, o trono de rainha...
                        Vestido de brocado, como é belo!
                            Esse sonho... Se estou sozinha?

                        A me cobrir de ouro e de prata,
                            A sede de te amar é que me mata,
                        A fome me nauseia: fel e dor!

                        Eu trocaria toda essa riqueza,
                            Os sonhos de rainha e de princesa,
                        Pela mísera esmola desse amor!

                                 Vilma Oliveira
                                                          
                           Blog de Vilma Oliveira

               

 Escrito por Lia de Araújo Oliveira Marchi às 20h04
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Surpresas . . .

 

Hoje ao arrumar minha bolsa, deparei com o cartãozinho da clínica médica e ví que já está no tempo de meu retorno.

Poderia encontrar tanta coisa...  o telefone de alguém querido que eu displicentemente joguei na bolsa,

ou uma caneta que eu julgava perdida, ou até algumas moedas....Mas não.

Encontrei o cartão do meu médico para me lembrar do que eu mais quero esquecer.

 

COMO EU NÃO GOSTO DE SURPRESAS!!!  

As desagradáveis acabam com o nosso humor e as agradáveis poderiam ser ainda melhores se não fossem...

 

!!SURPRESA!!

 

Para que um fato se torne mais valioso, mais desfrutável,  ele não pode ser destituido de espera, de expectativa.

A Surpresa é conveniente para quem a faz e nem sempre para quem a recebe.  O seu preparo envolve uma tensão, uma ansiedade que aumenta e se torna muito mais forte , mais palpitante no momentio em que ela se realiza; enquanto que quem a recebe, o prazer, a alegria são efêmeros, ficam restritos aquele pequeno espaço de tempo;

mesmo que ela seja uma surpresa muito apreciada.

 

É tão bom usufruir intensamente os bons momento de nossas vidas...

Saint-Exupéry em " O Pequeno Príncipe" traduz essa terna emoção no diálogo da raposa com o principezinho: ..."disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu

começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração...É preciso ritos. ..."

 

Tudo, tudo mesmo tem valor. A menor atitude , o acontecimento aparentemente insignificante, tem valor.

Essa valoração depende de nosso arbítrio. As surpresas roubam, um pouco desse valor.

Essa reflexão é absolutamente despretenciosa, afinal é uma teoria amparada  por uma "raposa".
De qualquer maneira estou aberta na expectativa de receber sempre BOAS SURPRESAS.



 Escrito por Lia de Araújo Oliveira Marchi às 16h37
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MEU PAI


 

          Somos todos constituidos de destroços do passado. Do nosso e do passado daqueles que nos antecederam. Tudo isso forma o nosso ser.
          O homem não é dono do ser, nem a título originário, nem a título derivado: o homem é o pastor do ser. A vida impõe-lhe que se cuide para devolver à comunidade um ser cada dia mais aprimorado.
          Nessa missão o homem é um ente sempre
 " incluso, tambaleante entre la oscuridad de los abismos"...Como adverte Pablo Neruda.
          Angelo de Oliveira, ou Angelo Gabriel DÓliveira, ou simplesmente Angito Farmaceutico, em seu natural desassossego parecia saber que ficaria por aqui apenas cinquenta e quatro anos e certamente julgava:..."sou a Hora. E a Hora é de assombro, e toda ela escombros dela"...
         Viveu intensamente esses efêmeros anos... Essas efêmeras horas...
         Lembro-me que certo dia ele pediu que eu fosse até um bar de um amigo, localizado em frente a nossa farmácia e comprasse um ovo cozido com a casca pintada de cor-de-rosa, desses que ficam expostos em bandeijas sobre o balcão. Fez suas alquimias até acertar uma cor idêntica ao ovo cozido e depois pintou alguns ovos
crus.  Colocou-os no bolso de seu jaleco e dirigiu-se ao bar. Disfarçadamente trocou os ovos cozidos pelos crus e ficou conversando esperando os passageiros do próximo onibus, que apressadamente, aproveitavam os poucos minutos de parada,  para servirem-se dos quitutes que estavam ofertados sobre o balcão. 
        Não preciso dizer o que aconteceu... Mas era só questão de poucos dias e o amigo do bar já lhe preparava o troco.
        Meu pai era assim: uma pessoa especial, vibrante... A par de uma nobre e respeitável figura humana existia o moleque com a visão dos estudiosos, a necessária ponderação dos sábios, o idealísmo dos jovens e a doçura das crianças...
       E como ele amava as crianças...
       Meu respeitável e admirável pai...
       Meu saudoso e amado moleque...
       A pouco mencionei a Hora, encerro invocando o Momento: lá como cá, a presença de Fernando Pessoa  [poeta de sua preferência]:
       "Sob os ramos que falam com o vento,
       Inerte, abdico do pensamento.
      Tenho esta Hora e o ócio que está nela
      Levem o mundo: deixem-se o Momento". 
         



 Escrito por Lia de Araújo Oliveira Marchi às 13h07
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Viagem a Praia


           Zé de Nha Flora e seu amigo Mané Barbacena, itatibenses moradores do bairro dos Jacús, viajaram a noite toda para ir a Santos conhecer o mar.
           Quando lá chegaram o dia já estava claro . Logo que desceram do trem foram tomar a jardineira que os levaria à praia.
           Naquela época os passageiros ao entrarem na jardineira diziam para o motorista, o lugar onde pretendiam descer do coletivo.
           Assim o primeiro da fila entrou e disse:-"Gonzaga; o seguinte declinou:-"José Menino" [nomes de praias da orla santista].
           Zé de Nha Flora prestou muita ateção para saber como agir. Quando chegou a sua vez , para expanto do motorista e dos passageiros, todo impertigado querendo aparentar desembaraço, ele encheu os pulmões e com voz empostada disse: -"Zé de Nha Flora" e apontou o companheiro completando:-"e Mané Barbacena" 
    
           Eu não cheguei a conhecer nenhum dos personagens, mas meus pais contavam essa história e diziam ser verdadeira.



 Escrito por Lia de Araújo Oliveira Marchi às 00h06
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A Televisão


          

            Ultimamente o rítmo de meus posts tem diminuido por razões profissionais, mas espero voltar ativamente logo, logo. O tempo tem sido meu carrasco!
            Outro fator que anda me irritando é o que apresentam na televisão. No escasso tempo que tenho para espairecer encontro programações fúteis, verdadeiros aleijões do intelecto.
            Ao longo dos anos descobri que a realidade das imagens da televisão eram muito mais reais do que as fantásticas aventuras de Tim Tim, de Mr. Magoo, do pica-pau, ou  da graciosa Poliana.
            As imagens de destruição, violência e de imprevisibilidade ocasionadas pelos homens ou pela natureza exibe a queda dos derradeiros limites do insuportavel.
            Além dessa realidade, da qual muitos se alimentam, existe uma ignorância ostensiva que trata com total indiferença o conhecimento e a sabedoria. Há programas de teor cultural, mas são raros. A televisão alimenta, acima de tudo, o ocio e o hedonismo aviltante, oferece o divertimento fútil e imediato.
            Para que procurar saber?  Para que serve o conhecimento cultural?  Em que ele contribuirá na minha felicidade?
            Para todas as perguntas imbecís a resposta não pode ser outra:NADA.
            

            Portanto, prefiro esquecer a TV e o pouco tempo que disponho venho até aqui, no meu mundo virtual. Ele me oferece através dos blogs amigos, pensares poéticos, sublimados por verdadeiros e nobres anseios. Aqui eu me encontro. Sinto-me enriquecida. E fico com uma ótima sensação quando  Lia , minha neta, em seu blog "Parada Obrigatória", demonstra com muita graça e maturidade que não foi contaminada pelo virus televisivo.



 Escrito por Lia de Araújo Oliveira Marchi às 23h57
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NOSSOS LIMITES

Minha mãe, sabiamente me dizia:"Para que correr tanto se sabemos que nunca conseguiremos emparelhar com os ponteiros do relógio!"
            Na busca de nossos sonhos idealizados empreendemos uma competição absurda e desigual com  os ponteiros dessa engrenagem invisível chamada tempo.
          Nossos dias obedecem o tiro de partida e a bandeirada de chegada. Não admitimos ser deixados para trás. Se não conseguimos hoje atingir com exito a posição desejada, no dia seguinte viveremos com mais afinco essa competição desenfreada.
          Apesar de não termos como cronometrar  tempo-espaço, passamos a vida desafiando os limites de nossa resistência e a distância de nossa existência.


 Escrito por Lia de Araújo Oliveira Marchi às 11h17
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O Velório de Totonho

         

Chovia muito em Itatiba naquela noite de verão. No bar de Chico Vale estavam encostados no balcão, três "colegas de copo", bebados que dava dó. Para completar chegou o frequentador mais assiduo: um empresário muito rico que tinha por hábito beber cachaça nos piores botecos da cidade. O Seu Chico, dono do bar, deu a triste notícia ao quarteto: o Totonho da Prefeitura havia falecido.
          [ É necessário explicar que o "de cujus" era um antigo funcionário da municipalidade , figura muito conhecida pela extravagância de seus habitos: boêmio, mulherengo e pai de filhos espalhados por todos os cantos, além dos seis nascidos no casamento].
          Os quatro companheiros de copo, muito consternados, depois de tomarem mais umas pingas em homenagem ao falecido, resolveram dar uma chegada no velório.
          Antes de lá entrar o quarteto deu uma paradinha no boteco "Ultimo Gole", situado em frente ao velório.
          Já muito bêbados, atravessaram a rua cambaleantes e apoiados uns aos outros.
          Encontraram, velando o defunto, apenas a viuva [a legítima, e claro] e dois sonolentos funcionários municipais.
          Ainda recostados entre si para manterem-se em pé, posicionaram-se ao lado do caixão e choraram... discursaram... relembraram... e repentinamente um deles, mais desequilibrado ainda doque os outros, pendeu para a frente e puxou os demais, que juntamente com ele cairam sobre o caixão derrubando o defunto no chão.
         Como a morte de Totonho foi inesperada e ele não estava morando com a família, os funcionários do hospital não conseguiram encontrar as roupas necessárias para vestir o defunto, arrumaram uma camisa e um paletó e cobriram o restante com muitas flores.
         Quando a viuva viu seu marido de bruços no chão e nú da cintura para baixo, ficou fora de si: -"Seu ordinário ! É sem vergonha até depois de morto!" E passou a desferir pontapés no pobre Totonho que durinho, durinho levantava o corpo todo do chão a cada pancada que recebia.
         Os dois funcionários municipais que estavam dormindo, acordaram sobressaltados e sairam em disparada, restando sómente os bebados e desastrados "colegas" para colocar Totonho de volta no caixão.
         Depois de muitos escorregões, blasfêmias e atrapalhadas o defunto voltou novamente ao seu devido lugar.
         Precisavam então, arrumar as flores para cobrir o que estava despido. O problema é que haviam pisoteado em quaze todas elas. A solução foi aproveitar as poucas flores restantes para fazer um "montinho" cobrindo sómente o necessário.

         [Acreditem, esse fato é verídico. Coisas que só acontecem na minha querida Itatiba]



 Escrito por Lia de Araújo Oliveira Marchi às 23h11
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em meu cantinho...



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BRASIL, Sudeste, ITATIBA, NOVA ITATIBA, Mulher, de 56 a 65 anos, Portuguese, Spanish, Arte e cultura, Casa e jardim
MSN - linna_mark33@hotmail.com





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