Hoje ao arrumar minha bolsa, deparei com o cartãozinho da clínica médica e ví que já está no tempo de meu retorno.
Poderia encontrar tanta coisa... o telefone de alguém querido que eu displicentemente joguei na bolsa,
ou uma caneta que eu julgava perdida, ou até algumas moedas....Mas não.
Encontrei o cartão do meu médico para me lembrar do que eu mais quero esquecer.
COMO EU NÃO GOSTO DE SURPRESAS!!!
As desagradáveis acabam com o nosso humor e as agradáveis poderiam ser ainda melhores se não fossem...
!!SURPRESA!!
Para que um fato se torne mais valioso, mais desfrutável, ele não pode ser destituido de espera, de expectativa.
A Surpresa é conveniente para quem a faz e nem sempre para quem a recebe. O seu preparo envolve uma tensão, uma ansiedade que aumenta e se torna muito mais forte , mais palpitante no momentio em que ela se realiza; enquanto que quem a recebe, o prazer, a alegria são efêmeros, ficam restritos aquele pequeno espaço de tempo;
mesmo que ela seja uma surpresa muito apreciada.
É tão bom usufruir intensamente os bons momento de nossas vidas...
Saint-Exupéry em " O Pequeno Príncipe" traduz essa terna emoção no diálogo da raposa com o principezinho: ..."disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu
começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração...É preciso ritos. ..."
Tudo, tudo mesmo tem valor. A menor atitude , o acontecimento aparentemente insignificante, tem valor.
Essa valoração depende de nosso arbítrio. As surpresas roubam, um pouco desse valor.
Essa reflexão é absolutamente despretenciosa, afinal é uma teoria amparada por uma "raposa". De qualquer maneira estou aberta na expectativa de receber sempre BOAS SURPRESAS.
Escrito por Lia de Araújo Oliveira Marchi às 18h06
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